Às 19h32min do horário local de Cabul, capital do Afeganistão, as forças armadas dos Estados Unidos utilizaram pela primeira vez na história uma bomba MOAB GBU-43, conhecida pelo apelido de “mãe de todas as bombas”, em uma região na qual combatentes do Estado Islâmico (ISIS-K) usam um complexo de túneis e cavernas como base, na província de Nangarhar. O artefato militar apresenta um rendimento explosivo de mais de 11 toneladas de dinamite e foi lançada de uma aeronave estadunidense, sendo a mais potente arma de destruição em massa não-nuclear já utilizada pelos Estados Unidos em combate.

 

Afeganistão

 

De acordo com um comunicado do Comando Central dos Estados Unidos, “o ataque foi projetado para minimizar o risco para as forças afegãs e estadunidenses que realizam operações de limpeza na área enquanto maximiza a destruição de combatentes e instalações do ISIS-K”. Ainda segundo o comunicado, as forças militares do país tomaram precauções para evitar casualidades civis, mas não descreveram quais foram as preocupações tomadas. O envolvimento dos Estados Unidos no Afeganistão dura aproximadamente 16 anos, com grande mobilização de recursos humanos, financeiros e tecnológicos. O ataque ocorre dias após um funcionário das Forças Especiais dos Estados Unidos ser morto na mesma região.

 

Missil O comandante das forças dos Estados Unidos no Afeganistão, general John  W. Nicholson, afirmou que a bomba utilizada “é a  munição certa para reduzir  obstáculos e manter o ímpeto da nossa  ofensiva contra o ISIS-K”. Além do  general, o porta-voz da Casa  Branca, Sean Spicer, disse em comunicado  que “os Estados  Unidos levam muito a sério a luta contra o Estado Islâmico  e, para destruir o grupo, temos que tirar espaço de operação dele, que foi o  que fizemos”.

 

Nova operação militar de grande repercussão internacional em  poucos dias

O fato ocorre dias após a utilização de 59 mísseis Tomahawk a partir de destróieres USS Porter e USS Ross pela administração Trump contra uma base aérea de Al Shayrat, na Síria. A operação foi apresentada como resposta à uma possível utilização de gás sarin, um armamento químico, pelo presidente Bashar Al-Assad contra civis sírios, o que foi negado por seu governo. O governo russo, tradicional aliado da Síria, afirmou a necessidade de investigações por parte de especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas para atestar a acusação feita por Estados Unidos e seus aliados, enquanto um professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Theodore Postol, publicou artigo refutando as evidências apresentadas pelos Estados Unidos.

 

Gás

 

O comunicado do Comando Central dos Estados Unidos pode ser lido aqui.

 

Autor: Wilson Fernandes Negrão Júnior