Nesta sexta-feira, 28/04, parte da população brasileira aderiu a uma greve geral em todo o país, como forma de protesto às propostas de reformas nos setores previdenciário e trabalhista apresentadas pelo governo do presidente Michel Temer. Várias cidades amanheceram sem transporte público e com parte das agências bancárias fechadas, além de manifestações em pontos importantes das principais cidades do país, lideradas por sindicatos de trabalhadores.

 

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Foto: Reuters

 

A realização da greve geral recebeu críticas de alguns políticos e setores sociais, que defendem a proposta de reforma do sistema previdenciário, como do prefeito de São Paulo, João Doria, e do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos pertencentes ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Segundo Alckmin, “a reforma da Previdência não é para tirar direito de ninguém, mas é para nós caminharmos para o regime geral de Previdência onde o público nos seus três níveis terão as mesmas regras. Nós estamos fazendo uma reforma que precisa ser mais valorizada porque é uma mudança cultural”.

 

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                                                                                Foto: Futura Press

Por outro lado, a convocação da greve foi comemorada por entidades sociais e personalidades políticas, como a ex-presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), afastada do cargo por um processo de impeachment em 2016. Rousseff afirmou que “a mobilização em defesa de direitos trabalhistas e previdenciários une os trabalhadores e mostra a força da sua resistência”. Funcionários de alguns órgãos públicos em todo o país também deram seu apoio à greve, dentre eles funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Repercussão internacional

A mídia internacional repercutiu a greve geral realizada no país na sexta-feira. O jornal britânico The Guardian destacou em seu site a notícia intitulada “Brasileiros cansados de políticos corruptos vão às ruas para protestar contra medidas de austeridade”. A matéria afirmou que “embora a ausência generalizada de trabalho tenha sido em parte impulsionada pelo longo fim de semana com feriado em 1º de Maio, a greve também destaca as frustrações com o governo, que está lutando para impulsionar cortes de segurança social e uma reforma do sistema de pensões. Muitos eleitores estão furiosos porque os políticos estão insistindo na necessidade de cortes nos benefícios e nos serviços públicos, mesmo à medida que aumenta a evidência de que eles próprios se beneficiaram pessoalmente de propinas ilegais em contratos superfaturados”.

 

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Foto: Reuters

 

O diário português Público destacou aspectos de violência na realização de manifestações no Brasil. Segundo o jornal lusitano, “Em alguns pontos de São Paulo e no Rio de Janeiro os manifestantes criaram barricadas utilizando pneus a arder para impedir a intervenção da polícia e bloqueando o acesso às auto-estradas e aos principais aeroportos. As autoridades responderam com gás lacrimogêneo. Num desses locais, na cidade paulista, um automobilista conseguiu furar as barreiras atropelando vários manifestantes, tendo sido detido depois de uma perseguição policial”.

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Foto: Reuters

 

Nos Estados Unidos, o noticiário The Wall Street Journal chamou a atenção para os impactos que a realização da greve geral e de manifestações em todo o país pode ter para as propostas de reformas apresentadas pelo governo: “Uma greve geral no Brasil na sexta-feira, convocada para protestar contra as mudanças trabalhistas e previdenciárias propostas, interrompeu o transporte público em todo o país, e alguns analistas dizem que isso poderia forçar o governo a enfraquecer as reformas propostas”.

O La Nación, do Chile, deu espaço para a manifestação de grupos indígenas em Brasília: “Indígenas de diferentes grupos étnicos protestaram na Esplanada dos Ministérios em Brasília, Brasil, para exigir que se acelere o processo de demarcação de terras indígenas que reivindicam como próprias. Além disso, os manifestantes voltaram a expressar a sua desaprovação a um projeto de lei que tramita no Congresso e que procura alterar as normas que regem a delimitação de tais territórios”.

 

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Foto: AFP

 

No Oriente Médio, o noticiário Al Jazeera, com sede no Qatar, também deu divulgação da situação do Brasil, afirmando que São Paulo foi a cidade mais afetada pela greve geral. Segundo a Al Jazeera, “No Rio de Janeiro, manifestantes incendiaram uma grande ponte, interrompendo o tráfego de passageiros, enquanto a polícia usava gás lacrimogêneo para forçar uma pequena multidão de manifestantes de fora da principal estação rodoviária. No entanto, a cidade parecia ser menos afetada, com empresas privadas, como restaurantes, cafés e lojas funcionando normalmente. Na capital Brasília e em Belo Horizonte, outra grande cidade, os sistemas de metrô foram completamente fechados. Curitiba, a cidade onde se baseia a enorme investigação anti-corrupção do Brasil, a Operação Lava Jato, ficou sem serviços de ônibus. Temer disse que, sem severa disciplina fiscal e aperto do cinto, a maior economia da América Latina não poderá sair de uma recessão de dois anos.”

 

Foto de capa: Sérgio Moraes/Reuters

 

Autor: Wilson Fernandes Negrão Júnior